Subida da Euribor: Quanto pode aumentar a prestação da casa?

A subida da taxa de inflação, acentuada pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia, fez soar alguns alarmes, nomeadamente junto dos bancos centrais. Nos EUA, a Reserva Federal (Fed) começou a subir as taxas de juro. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu (BCE) já deu sinais de que também vai aumentar os juros.

Este contexto já está a provocar uma subida das taxas Euribor, o que tem implicações diretas no custo do crédito. A dúvida, neste momento, não é se a prestação do crédito habitação vai aumentar, mas sim quanto pode subir.

 

Taxas Euribor caminham para terreno positivo

As taxas Euribor negoceiam em valores negativos desde 2015, na sequência dos cortes de juros realizados pelo BCE, após a crise financeira que assolou o mundo.

Este cenário parece estar prestes a mudar. Desde fevereiro, após os dados da inflação apontarem para a eventual necessidade de o BCE atuar, que as taxas Euribor começaram a subir. O aumento está a ser ligeiro, mas a tendência é de subida.

Este ambiente adensou-se depois da Rússia invadir a Ucrânia e de a Fed começar a subir os juros nos EUA. O BCE também abriu a porta a subidas de juro.

Neste contexto, a taxa Euribor a 12 meses já subiu mesmo para valores positivos. E a média mensal de abril (que é o valor de referência para o crédito habitação indexado à taxa Euribor a 12 meses), subiu para 0,0131%. As taxas a seis e três meses continuam em valores negativos, mas estão a aproximar-se do zero.

Para ter uma ideia do impacto da evolução da Euribor, uma pessoa com um crédito de 100 mil euros, com um spread de 1,2% e com 300 prestações ainda em falta, vai pagar 367,13 euros por mês, tendo em consideração a taxa Euribor a seis messes de março (-0,417%). Se a média da Euribor aumentar para 1%, esta prestação aumenta quase 19 euros para 385,99 euros.

 

Até onde pode aumentar a prestação?

Ninguém consegue antecipar qual a dimensão da subida das taxas Euribor, logo, não é possível saber com antecedência qual o valor máximo da prestação.

Conseguimos, sim, contextualizar. Olhando, para a história, os dados revelam que nos últimos 20 anos, as taxas Euribor superaram por duas vezes os 5% (em 2000 e em 2008). Estes foram os períodos com os picos.

Sendo impossível antecipar até onde podem subir os juros, é importante realçar que o BCE atua de forma moderada. Ou seja, decide subir as taxas de juro de forma progressiva. Apenas em momentos atípicos é que as decisões são mais agressivas (como aconteceu na crise financeira de 2008).

E é esta perspetiva que está a ser antecipada pelos mercados financeiros, que estão a prever que nos próximos anos as taxas de juro na Zona Euro se mantenham próximas de 1% e 1,5%.

Retomando o exemplo de cima, um empréstimo de 100 mil euros, com as condições descritas anteriormente e uma Euribor de 1%, corresponde a uma prestação de 434,15 euros, mais 67 euros do que o valor atual.

Se extrapolarmos este exercício e, para o mesmo caso, simularmos uma Euribor de 5%, teremos uma prestação de 655,97 euros, ou seja, mais 288 euros do que atual.

De salientar que este último cenário é improvável que aconteça nos próximos anos. Tal como referido mais acima, nos últimos 20 anos, houve dois períodos em que a taxa Euribor negociou na casa de 5%. E corresponderam a momentos de crescimento económico.

O atual momento económico é de elevada incerteza, pelo que, o BCE terá isso em consideração antes de avançar com subidas de juro.

Ainda assim, será determinante perceber o que pode acontecer à sua prestação da casa num período de subida de juros. E, se for caso disso, perceber também os ajustes que poderá ter de fazer para não arriscar a sua estabilidade financeira.

 

O que posso fazer para reduzir o impacto da subida?

Há várias formas de se preparar para a subida de juros prevista. Pode rever as condições do seu empréstimo, junto do seu banco ou pode procurar alternativas. O importante é que não espere pela subida e atue o mais depressa possível.

Uma das primeiras coisas que deve fazer é contactar o seu banco e perceber o que pode ser feito. É possível baixar o spread associado ao seu crédito? Para ter uma noção há bancos que estão a aplicar spreads mínimos de 0,85%. Sabe qual é o seu?

A revisão das condições do seu empréstimo pode ditar a redução dos encargos mensais (e totais), pelo que deve perceber se há margem para tal.

Se tem o crédito indexado a uma taxa Euribor, avalie a possibilidade de passar a ter o contrato de crédito associado a uma taxa fixa. Esta vai protegê-lo das oscilações dos juros. Mas atenção, no momento inicial terá sempre um encargo maior com a sua prestação. Neste caso, o que garante é a estabilidade.

Além dos spread e do indexante deve rever os seguros associados ao contrato de crédito. Tem o seguro multirriscos e o seguro de vida. A subscrição destes dois seguros são critério dos bancos para financiarem a casa, uma vez que funcionam como uma proteção do cliente e do próprio banco.

Depois de contactar o seu banco, se as condições que lhe forem apresentadas não forem suficientes, pode sempre procurar alternativas. Consulte outras instituições e perceba o que lhe podem oferecer.

Pode ainda, sem alterar as condições do seu crédito, perceber se a subscrição dos seguros junto de outra instituição (que não o seu banco) pode fazer a diferença. É possível que o spread do seu crédito habitação suba se optar por ter os seguros junto de outra entidade, mas muitas vezes a poupança compensa (e as coberturas podem até ser mais abrangentes).

Há várias hipóteses para tentar reduzir o impacto da subida da Euribor no seu orçamento. Faça contas, procure alternativas e não espere que as taxas de juro subam para níveis que podem pôr em risco o seu orçamento.